Fotos de SUP por James Kao
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Todos nós sabemos apreciar uma boa foto quando vemos uma, e é exatamente isso que fazemos na Supconnect Photographer Series. Nós nos conectamos com fotógrafos excepcionais de dentro e de fora do mundo do stand up paddle (SUP) e mostramos algumas das muitas fotos fantásticas deles. Nesta semana, estamos empolgados em destacar o fotógrafo James Kao, de Redondo Beach, Califórnia.
James é fotógrafo de esportes ao ar livre e defensor de oceanos limpos, com formação em arquitetura paisagística pela Cornell University. Ele passou grande parte de sua carreira profissional como planejador urbano antes de migrar para a fotografia. James experimentou o stand up paddle pela primeira vez por volta de 2008 e, desde então, viajou com uma prancha inflável de SUP para lugares como a Patagônia, a Ilha de Páscoa, os Açores e a Guatemala, onde contornou sozinho o Lago Atitlán em 2019. Além do SUP, ele gosta de trail running, caminhadas, acampar, brincar com os cachorros dos outros e manter nossas praias e oceanos livres de lixo plástico. Recentemente conversamos com James sobre as aventuras que ele registrou e sobre suas fotos. Confira abaixo o que ele tinha a dizer sobre suas experiências:
Como você começou na fotografia?
Quando eu era criança, adorava arte, principalmente desenhar a partir da vida real ou de fotos de livros e revistas. Embora meus pais tenham me dado uma assinatura da revista National Geographic e algumas câmeras básicas, só desenvolvi um interesse real pela fotografia depois dos trinta anos, com o avanço do digital. Foi então que comecei a viajar mais pelo mundo sozinho e a documentar minhas aventuras, que eu compartilhava por meio das minhas fotos. Durante muitos anos tive apenas uma câmera digital compacta básica, e era ela que eu tinha quando visitei as Ilhas Galápagos. Lá, eu estava tentando fotografar uma baleia-jubarte saltando, e a compacta, muito lenta, perdeu todos os saltos da enorme baleia. Outro viajante ao meu lado disparava sem parar com a DSLR mais recente, meio sorrindo com ironia enquanto exibia suas fotos icônicas do salto, feitas a 5 quadros por segundo. Aquilo foi decisivo para mim: eu precisava melhorar meu equipamento fotográfico se quisesse realmente registrar minhas experiências, e logo depois comprei minha primeira DSLR e passei a levar a fotografia a sério.
A fotografia foi fácil para você ou foi um desafio?
Alguns aspectos da fotografia foram mais fáceis para mim e outros, mais desafiadores. Tenho formação em arquitetura paisagística, então estou acostumado a visualizar no espaço e a usar o lado criativo do meu cérebro. Compor imagens, enxergar relações de cor e associações de padrões, visualizar conceitos — tudo isso veio naturalmente. Foi na parte técnica da fotografia que tive um pouco mais de dificuldade. Entender os princípios da exposição, como modificar a cor e a qualidade da luz, trabalhar bem com modelos, até divulgar meu trabalho… esses eram temas mais desafiadores, mas aprendê-los me deu uma apreciação maior pela singularidade da fotografia como forma de arte e me ensinou a valorizar meu próprio trabalho e o dos outros.
Quando você fez suas primeiras fotos de SUP e qual foi a ocasião?
Não me lembro exatamente de quando fiz minhas primeiras fotos de SUP, mas me lembro da primeira vez que fotografei de cima de uma prancha de SUP. Foi há uns cinco anos, quando eu estava remando no Lake Powell com alguns amigos. Eu tinha começado a remar só dois anos antes, então finalmente me sentia seguro o bastante para fotografar da prancha usando minhas câmeras mais caras. Gostei muito da liberdade de fotografar da água e de conseguir uma perspectiva que simplesmente não dá para ter de um barco.




Em sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: Itzel Delgado / Jenny Moore no Watson Lake / Lake Powell / Off Da Couch | Fotos: James Kao
A fotografia é sua profissão principal ou um hobby?
A fotografia é minha profissão e minha segunda carreira. Antes de pegar a câmera profissionalmente, eu a curtia como hobby enquanto trabalhava como planejador urbano. Olhando para trás, era bem mais fácil fotografar quando era apenas um hobby, porque eu podia contar com outra fonte de renda estável, que me dava meios para comprar o equipamento necessário, pagar cursos e viajar para destinos distantes. Eu tinha mais liberdade para fotografar o que quisesse e não precisava me preocupar em encontrar trabalhos e clientes, já que recebia um salário a cada duas semanas só por aparecer. Por outro lado, agora sou meu próprio chefe e administro meu tempo e minha agenda. Isso torna muito mais fácil sair para remar!
Que tipo de equipamento você usa?
Embora ter um bom equipamento seja importante, é muito mais importante ter um bom olhar e uma boa cabeça. Ter o melhor forno do mundo não vai fazer de você o melhor chef. Na fotografia é a mesma coisa. Você precisa saber o que criar com suas ferramentas, e a câmera é só uma ferramenta. A forma como você vê o mundo e sua mente criativa não são determinadas pela marca ou pelo modelo da sua câmera. Dê uma câmera de brinquedo a uma grande fotógrafa e ela fará uma imagem incrível, porque conhece a arte da fotografia e tem uma visão. Mas, se você quer mesmo saber, sou um fotógrafo fiel à Canon desde que comecei na fotografia digital com minha 50D. Usei vários modelos diferentes desde então e hoje uso principalmente o sistema mirrorless R5, a 5D Mark III e a 1DX Mark II.

O que você espera dizer com suas fotografias e como consegue isso?
Uma fotografia é uma forma de arte única. É uma representação bidimensional de uma realidade quadridimensional. O que quero dizer com isso é que o tema fotografado é um objeto tridimensional captado em um momento específico do tempo, que é a quarta dimensão. Esse momento nunca pode se repetir, então precisa realmente dizer algo a quem vê, algo importante. Quero que as pessoas que veem meu trabalho se conectem com as pessoas que fotografo, se coloquem no lugar delas e sintam seus pensamentos e emoções. Quero que percebam a escala e a grandiosidade do ambiente ao redor delas, ou que sintam a energia intensa do momento. Consigo isso compondo com cuidado as pessoas no quadro, nos pontos em que atraem mais a atenção de quem vê e se destacam do fundo, muitas vezes colocando-as na melhor luz. E também fazendo com que se sintam à vontade, para que possam simplesmente ser elas mesmas, com naturalidade, e fazer o que fazem de melhor.




Em sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: Soryn Preston / Pau Hana Rapa Nui / Dana Point Harbor Hoot / Dana Ocean Challenge | Fotos: James Kao
Qual foi seu evento ou lugar favorito para fotografar?
Tive a sorte de fotografar em muitos lugares incríveis, mas um dos meus lugares favoritos no mundo é a pequena e remota ilha de Rapa Nui, também conhecida como Ilha de Páscoa. Já viajei para lá três vezes e, na minha última viagem, em 2019, levei uma prancha inflável de SUP com o objetivo de fazer um ensaio fotográfico dentro de uma pequena lagoa no fundo de uma antiga cratera vulcânica. Dois amigos locais me ajudaram a carregar a prancha por uma trilha muito íngreme até o fundo, onde a inflamos, e meus amigos serviram de modelos, vestidos com seus trajes tribais indígenas, com direito a pintura corporal. Em certo momento do ensaio, de alguma forma caí na água rasa enquanto fotografava de um ponto perto da margem e quase destruí minha câmera, mas instintivamente levantei o braço, segurando-a alto o bastante para que não tocasse a água. Foi uma experiência inesquecível!
Qual é a sua parte favorita de fotografar SUP?
Para mim, o SUP é a sensação máxima de liberdade. Não existe outra sensação igual a flutuar na água. Embora eu já tenha fotografado SUP da terra, do ar e da água, para mim não há jeito melhor do que fotografar na água, de cima de outra prancha. É mais complicado e mais arriscado do que fotografar de um barco, mas consigo ângulos mais baixos e tenho uma conexão com os remadores que estou fotografando. Sinto tudo o que eles estão sentindo, cada onda e cada corrente. Acho que esse é um elemento crucial a ser estabelecido entre o fotógrafo e quem é fotografado, e que resulta em imagens melhores. Quando estou na água fotografando, também estou curtindo a experiência de remar, então não há nada que eu preferisse estar fazendo: criar imagens de algo que eu mesmo amo fazer.

Na sua opinião, qual seria o lugar ideal para um ensaio fotográfico de SUP?
Acho que há muitos lugares que seriam ótimos para ensaios fotográficos de SUP, e muitos em que você normalmente nem pensaria, porque não são lugares onde costuma ser possível remar ou onde remar talvez nem seja permitido. Ontem à noite mesmo fui a um evento no centro de artes cênicas de uma universidade local, e para chegar lá você passa por uma passarela que atravessa um lago artificial. O lago é fundo o bastante para remar, então pensei que seria um cenário legal para um ensaio de SUP, mesmo que provavelmente fosse proibido. Mas daria uma imagem incrível! Ou por que não o lago em frente ao hotel Bellagio, em Las Vegas? É aqui que minha imaginação se solta um pouco. Entre os lugares mais práticos e acessíveis, sempre quis remar e fotografar nos canais de Veneza, na Itália. Eu faria meus modelos se vestirem de gondoleiros. Lagos de alta montanha também são lugares ideais, pelos picos cobertos de neve e pelo desafio de transportar as pranchas até lugares tão remotos.
Além das suas, de quem são as fotografias que você mais admira?
Admiro o trabalho do fotógrafo da National Geographic Stephen McCurry, dos fotógrafos comerciais Erik Almas e Tim Tadder, dos fotógrafos de esportes de aventura Michael Clark e Chris Burkard, do fotógrafo de aventura ao ar livre Quin Schrock e do meu mentor, instrutor e fotógrafo de viagem Scott Stulberg. Cada um desses fotógrafos desenvolveu um estilo e uma visão únicos, que influenciaram meu próprio trabalho.

O que podemos esperar de você em um futuro próximo?
Esperem me ver com mais presença na cena do SUP, cobrindo competições, trabalhando com atletas individualmente e documentando expedições. Em 2019 passei oito dias remando sozinho ao redor do Lago Atitlán na Guatemala e gostei muito de documentar minha aventura na água e em terra firme. Gostaria de ajudar outros remadores que estão planejando suas próprias expedições a documentar suas viagens e contar suas histórias de aventura. Também gostaria de trabalhar para mais marcas da indústria do SUP e ter trabalhos publicados nas principais revistas de esporte. Obrigado, SUPConnect, por divulgar meu trabalho e minha história!
Siga James no Instagram @jameskaofoto e confira www.jameskaofoto.com para ver mais do seu trabalho incrível. Para ver mais fotos de SUP na nossa Photography Series, clique aqui.
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